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RECIFE LISBOA

Delmar Rosado

ESCRITOR, POETA, JORNALISTA, PESQUISADOR
E ESTUDIOSO DA PRESENÇA PORTUGUESA
NO BRASIL DE ONTEM E DE HOJE,
TRAZ AQUI SUA PARTICIPAÇÃO
SEMPRE MUITO BEM INFORMADA

 

Delmar Rosado
   

19 de Novembro de 2009 

- Faz 299 anos que a Vila do Recife passou a ter a sua Câmara Municipal, o seu foral e o seu termo (freguesias que passavam a pagar seu foro (impostos, no Recife), que eram o Bairro do Recife, de Santo António, de São José, o lugar de Afogados e as freguesias de Muribeca, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca.

- O Foral foi assinado pelo rei D. João IV e, a partir dessa data, o foral de Olinda não tinha quaisquer direitos sobre a Vila do Recife.
Nenhum jornal diário de nossa cidade fez qualquer pequena nota sobre o aniversário, ninguém a festejou ou comemorou.
                  

É UMA TRISTEZA.

                         Delmar Rosado

13 de DEzembro de 2009

OS HOLANDESES E AS BATATAS 

            No “Diário em Revista” publicado no passado dia 15 de Novembro fui ler, como habitualmente, a pagina de gastronomia porque, por vezes, tem receitas muito interessantes.

            Yoshi Matsumoto, o mentor de um restaurante em Boa Viagem, publicou a receita de Okonomi-Yak e pensei que um dia destes iria lá prová-lo. Entretanto, no decurso da receita, ele escreve “ ... cada província tem seu plantio ou agricultura ... no norte, por exemplo, é comum a batata inglesa, trazida pelos holandeses ...” !!!

            Aí  o chefe salgou a receita ...

            Em 1621, Gurupá  no Pará, em 1624 Salvador da Bahia, em 1630 Olinda em Pernambuco e toda a Europa não conhecia o legume que aqui é hoje conhecido  por batata inglesa (em Portugal é batata redonda, em Espanha é só batata, na França é batata inglesa e em Inglaterra batata francesa) que, originária da América do Norte só lá chegou nos finais do século XVIII. Os europeus não a aceitaram e diziam que aquele legume matava.

            Em 1823 uma enorme seca assolou toda a Europa e milhares de soldados que haviam lutado contra Napoleão e outros a favor dele deambulavam por aquele continente esfomeados e sem trabalho até que um deles resolveu que morrer por morrer não morreria com fome e resolveu comer as batatas e foi assim que a batata se transformou num dos legumes mais consumidos na Europa e no Mundo.

            Só  por curiosidade, antes da batata,  o acompanhamento das carnes, peixes e aves era feito com pão de trigo, milho, centeio ou aveia, com nabos e com um pirão (a que hoje se chama xerém no Algarve) mais duro do se come por aqui.

            Em outro artigo no mesmo dia, no Diário, sobre o Circuito Turístico pelas seculares Igrejas de Pernambuco fala-se que o Forte das Cinco Pontas foi construído pelos holandeses e mais tarde coberto de pedras pelos portugueses.

            Corriga-se o guia. O Forte das Cinco Pontas foi entregue aos luso-brasileiros no dia 28 de Janeiro de 1654 completamente destruído e incapaz de servir para defender o Recife,

            Em 1677, quando João Fernandes Vieira foi nomeado Chefe das Fortalezas e Defesa de Pernambuco mandou reconstruí-lo e dar-lhe o nome do orago da capelinha que ali foi erguida Forte de Santiago, “o mata mouros”, com quatro baluartes e no estilo habitual de todos os fortes portugueses espalhados pelo mundo.

            Sobre o assunto poderão consultar  o livro João Fernandes Vieira, de José  Antonio Gonsalves de Mello.

            E entre a Madre de Deus e a Igreja do Pilar que está hoje completamente destruída as ruínas encontradas e mostradas no Museu a Céu Aberto são o que resta das  fundações do Fortaleza Madre de Deus e São Pedro, concluída em 1685 e derrubado nos últimos meses de 1727 e os primeiros de 1728 porque assoreava o Rio Beberibe e o porto do  Recife.

            No seu livro “Um Mascate e o Recife” , José António Gonsalves de Mello descreve a sua localização indicando a distancia que a separava do Convento e por ser o único em semi-circulo construído em Pernambuco.

            Como tudo aqui em nosso Estado é atribuído aos holandeses qualquer dis dirão que foram eles que, nunca tendo aqui estado, descobriram o Brasil ???

            Os invasores do norte e nordeste do nosso País foram a Companhia das Índias Ocidentais e seu mercenário exercito, de que eram sócios todos os Estados da Republica das Províncias Unidas do Norte ou Republica dos Paises Baixos (Nederland) eram chamados de neerlandeses e, mais conhecidos em todo o mundo por Flamengos.

            Penso que já  vai sendo tempo de se dizer ao Turista Histórico a verdadeira história dos Monumentos de Pernambuco.

Fonte:- Foto das batatas de http://www.cozinhaesabor.com.br.  

                                                                        Delmar Rosado


BEM À PORTUGUESA!


OKONOMI YAK
A APANHA DA BATATA - VAN GOGH

10/09/2009 DESABAFOS

Penso que escrevi este poema
com o coração numa noite de insônia

Delmar Rosado 

Retalhos de Vida

Você ...
Já mandou homens combater
Sem saber se voltariam?

Você ...
Já passou noites sem dormir
Pensando em pais, filhos, netos,
irmãos e companheiros
que mandou p’ra guerra
sabendo que poderiam morrer?

Você ...
Já alguma vez
Arriscou seu emprego
P’ra defender amigos ...
Caluniados ...
E denunciados injustamente?

Você ...
Já se viu transformado em emigrante ...
Exilado ...
Taxado de bandido ...
Depois de anos combatendo
A defender a Pátria ?

Você ...
Alguma vez temeu
Que ao voltar à sua Pátria
Fosse preso ... sem saber porquê ?

Você ...
Depois de conquistar um lugar na vida ...
Já se viu

Derrubado ...

Caluniado ...

E só ...

 

Sem dinheiro
Sem trabalho ...
Num País estrangeiro ...
Sem um lar ...
E uma família a sustentar ?

Eu ...
Já passei por isso tudo ...

... E estou vivo.

Casa do Mar
6.12.99

DESABAFOS

Cheguei ao café. Numa mesa um velho amigo que já não via há longos anos, estava sentado. Aproximei-me, cumprimentei-o e a tradicional pergunta:- Então? O que é feito de ti nestes anos todos que não nos temos visto?

"Sabes Delmar, após o 25 de Abril e de terem acabado com a policia a que eu pertencia, aposentei-me e deixo-me ficar em casa a maior parte do tempo. A incompreensão das pessoas em relação ao meu antigo trabalho me deixa triste e é melhor eu ficar em casa brincando com os netos do que vir para o café e, por vezes, ouvir algumas piadas de gente que julga uma coisa e nunca soube o que na realidade era o meu trabalho. "Tu, que de vez em quando escreves umas coisas, senta-te ai e ouve lá algumas histórias que te vou contar para que os amigos saibam, na verdade, o que era a coisa. Como tu sabes eu acabei em Angola e fui para a "fábrica" para não ir para Angola e vou explicar-te como.

Eu estava já com 24 anos e no final dos 3 anos de serviço militar obrigatório na Força Aérea quando começaram a falar em mobilização para o Ultramar. Eu que não tinha interesse algum em continuar como cabo por mais 4 anos em qualquer colônia e sabendo de antemão que não havia vagas para promoção no quadro, comecei a ficar preocupado. Um velho primeiro sargento veio então falar comigo e me disse:- Oh rapaz é a coisa mais fácil do mundo tu escapares da mobilização. Tu vai lá à António Maria Cardoso, inscreve-te e eu mexo os cordelinhos para te chamarem para lá. E assim foi. Passados que foram não mais de 30 dias de me ter inscrito já tinha sido chamado lá e sabia que seria desmobilizado e para o curso.

Claro que fiz o curso, passei e segui a rotina de todo o mundo com estágios nos diversos serviços onde mais tarde seria colocado.
Nos finais de 1960 muita falta de pessoal e eu, embora agente auxiliar acabei sendo colocado no Aeroporto de Lisboa e começo a prestar serviços no guichet dando entrada e saída aos passageiros.

Uma noite, no turno das 24 às 8 da  manhã eu chego ao Aeroporto e começo a ouvir um zum zum, embora ninguém me tivesse avisado de nada, que o Benfica ia embarcar para Viena e de que o Eusébio (que embora sem ainda jogar acompanhava a equipe em todas as deslocações) não poderia sair do Pais porque não teria autorização da mãe. (o passaporte de Eusébio tinha a linha do pai em branco e filho de Maria Flora). Quando o Cabrita chegou ao balcão com os passaportes, eu fui despachando e chegou ao do Eusébio que, de fato, não tinha ainda 21 anos e só poderia sair do Pais com uma declaração em papel selado e a assinatura da mãe (ele não tinha oficialmente pai) reconhecida no notário,o que não sucedia.

Mas, no passaporte do Eusébio constava na 1ª. pagina uma nota com chancela do Governador de Lisboa dizendo que ele poderia sair do País sempre que integrado na caravana do Benfica e eu... uma carimbadela e boa viagem rapazes do meu clube. Sai do serviço às 8 da manhã fui para casa, tomei banho, fui dormir  um pouco e, mal tinha me deixado dormitar, toca o telefone e um chefe, chamado Costa, diz para eu ir com urgência falar com um Inspetor chamado José, sportinguista ferrenho. Claro que calculei logo que o problema se chamaria Eusébio e lá fui.

O Costa que era benfiquista dos quatro costados foi-me logo dizendo que o inspetor estava bravo porque o Eusébio tinha sido autorizado a sair e lá fui eu.
Entrei e diz-me logo o inspetor José: Ouça lá uma coisa? Como é que  você deixa sair do Pais um menor sem autorização da mãe? 'Eu respondi-lhe:- Sr. Inspetor se ele fosse do Sporting, do Belenenses ou do Porto, eu também o deixava sair.
Ficou por isso mesmo para não te cansar com mais pequenos detalhes.Depois, tu sabes fui colocado numa fronteira aqui do sul, numa terra  onde eu conhecia toda a gente.

Naquele tempo precisava ser preenchida uma informação moral e política de todo o mundo que concorria a um emprego púbico, que ia para o Curso de Oficial Miliciano, etc, etc. Era um pandemônio. Um dia chegou lá um pedido de informação de um moço da terra e todo o mundo o taxava de comunista. Eu perdia por 4 a 1 mas mantinha a minha verdade que sabia ser correta. Ele foi meu colega de infância, temos a mesma idade, conheço-o desde que nasci e nunca foi comunista.

Os meus 4 adversários garantiam que ele, por ser artista plástico tinha que ser comunista. Eu preenchi a informação, assinei e disse ao Chefe, mande que eu assumo. Acho que ele só soube disso depois do 25 de Abril.Depois do 25 de Abril ele leu seu processo e veio agradecer-me eu não aceitei os agradecimentos)
Para tirar o passaporte então era um festival. Havia um formulário com umas 50 perguntas que nós tínhamos que responder e justificar a quem, em nossa opinião fosse de conceder ou não passaporte.

Havia lá na terra um moço, um pouco mais velho do que eu e cujo irmão mais velho que trabalhava numa traineira, eu conhecia desde criança, que era conhecido pelas suas manifestações contra tudo e contra todos, logo, era comunista. Já lhe tinham recusado o passaporte por 3 ou 4 vezes quando chegou novo pedido de informações. Eu preenchi a informação e disse que era de se conceder o passaporte. Ele não era ativista e somente reclamava porque era um desempregado crônico e porque falava muita besteira não arranjava emprego e não conseguia o passaporte para emigrar.

De novo todo o mundo contra e a ameaça de que numa de suas saídas lhe cassariam o passaporte tão surpreendentemente obtido. Eu comecei a observar os movimentos dele e a ver como ele estava levando aos poucos a bagagem para a Espanha até ao dia em que ele foi embora quando consegui ser eu a carimbar-lhe o passaporte de saída e a dizer-lhe para que ele soubesse o que eu estava fazendo, “boa viagem". Acho que ele se ler a tua crônica se lembrará.(penso que ele já faleceu mas seu irmão deve se lembrar disto.

31/08/2009 O ALMIRANTE E O MOTORISTA

Almirante
Américo de Deus Rodrigues Tomás

Nasceu em Lisboa, a 19 de Novembro de 1894, e faleceu a 18 de Setembro de 1987, em Cascais.
Filho de António Rodrigues Tomás e de Maria da Assumpção Marques Tomás.
Casou, em 1922, com Gertrudes Rodrigues. Do casamento teve duas filhas.

CARREIRA ACADÉMICA

Ingressou no Liceu da Lapa, em 1904, e concluiu a sua formação secundária em 1911. Frequentou a Faculdade de Ciências durante dois anos, entre 1912 e 1914.

FONTE:
http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=26

RECORDAÇÕES

          Em Janeiro de 1968, há mais de 40  anos, eu estava viajando no navio “Funchal”, com a comitiva do então Presidente da Republica Almirante Américo Thomás, para uma visita à Guiné e a Cabo Verde.
          A bordo, acompanhando a visita, viajavam  repórteres dos mais importantes jornais e emissoras portuguesas e Artur Agostinho pela RTP.
          Toda aquela turma se juntava depois do jantar no bar para jogar às cartas. Uma noite apareceu na sala de jogo o Presidente da Republica.
          O jogo parou e embora o Presidente tivesse dito para continuarem todo o mundo se levantou e convidaram o Presidente a sentar-se.
          Ele sentou-se e depois de muita conversa trivial, Artur Agostinho fez-lhe uma pergunta muito interessante:- “Oh Sr. Presidente, nas inúmeras visitas que o Sr. fez pelo mundo alguma vez lhe sucedeu algo que lhe tivesse ficado marcada em sua memória?
          E então o Presidente contou o seguinte:-
          “Em 1965 ou 1966 (eu é que não recordo a data) fui de avião para a Ilha Terceira e dali, a bordo do velho “Carvalho Araújo” para todas as ilhas do grupo central e ocidental.
          Na chegada ao Faial, depois de todos os protocolos e um jantar no Palácio do Governo, eu e minha mulher fomos deitar-nos num quarto do mesmo edifício.
          Pela manhã  Gertrudes desperta-me e diz-me que estão a chamar por mim. De fato, no parque do palácio o Governador chamava, Tomaz, Oh Tomaz!
          Minha mulher, a meu lado, pergunta-me se eu o conhecia com intimidade. Eu disse-lhe que tinha falado com ele duas vezes, uma em Belém e outra no dia em que chegamos à Horta, mas também lhe disse que ia averiguar.
          De fato, durante a visita à Ilha eu consegui saber que o Tomás que ele chamava era o seu motorista.”
          Eu, que não estava na altura, ouvi no outro dia a estória que todo o mundo já contava como anedota e lamentava não se poder publicar.
          A piada é que eu também estive nessa viagem às ilhas e foi a primeira vez que vi os Capelinhos. As cinzas tinham coberto todo o farol até à luminária e estavam a plantar caniços para segurar as areias o que, pelas fotos que tenho visto, não conseguiram e hoje é visível toda a estrutura do farol.
          Não lembro quem era o Governador do Distrito da Horta nem, se porventura, tinha um motorista chamado Tomás.
          Escrevi para o Amigo Jorge Terra (da Academia do Bacalhau do Faial) perguntando-lhe se não seria possível saber se o Governador daquele tempo tinha um motorista chamado Tomás.
          O Amigo Jorge Terra, da Academia do Bacalhau do Faial, confirmou-me que, de fato, o motorista do Governador do Faial, na altura, se chamava Tomás.
          Por isso lhe mando esta recordação do tempo em que isso... não era publicável.

Delmar Rosado

28/08/2009 FOI O ÚNICO QUE ME ENGANOU...

IMAGEM 1

 

 

Napoleão Bonaparte, nas suas memórias escritas pouco antes de morrer no exílio na Ilha de Santa Helena, referindo-se a D. João VI, Rei do Brasil e de Portugal.

A foto ao lado é o fac-símile da pag. 5 do livro “1808, Laurentino Gomes”, Editora Planeta do Brasil Ltda., São Paulo. 

O mundo pensa que em 29 de Novembro de 1807, a Corte Portuguesa, todos os seus protegidos e milhares de nobres e militares provocaram o caos em Lisboa porque se iria abandonar em pânico e sem qualquer plano Portugal ao exercito de Napoleão que, comandado por Junot, estava às portas de Lisboa. Isso não corresponde, completamente, à verdade. Havia não só um plano, mas vários, para a Corte embarcar para o Brasil.

Algumas décadas antes, em 1736, o Embaixador de Portugal em Paris, Luis Cunha, escrevia a D. João V dizendo que ele jamais se sentiria seguro em Portugal e sugeria que a Corte mudasse para o Brasil onde ele assumiria o título de “Imperador do Ocidente” e nomearia um vice-rei para Portugal.
*Em 1762, o primeiro ministro de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, diante de uma ameaça de invasão pelos  espanhóis, propôs ao Rei D. José I que, “tomasse as medidas necessárias para mudar para o Brasil”. Em 1801, com Napoleão dono da Europa, esses antigos planos tomaram foros de urgência. Nesse ano Portugal foi derrotado pelas tropas espanholas que, ajudados pelos franceses, ganharam a chamada “Guerra das Laranjas” e, até hoje, o país perdeu Olivença.

PAGINA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Temendo a fragilidade do Reino, o terceiro Marquês de Alorna, D. Pedro de Almeida Portugal, escreveu ao regente D. João (mais tarde D. João VI), dizendo:- “Vossa Alteza tem um grande Império no Brasil ... é preciso que mande armar com toda a pressa todos os seus navios de guerra e todos os transportes que se encontrem no porto de Lisboa e que meta neles a Princesa, os seus filhos e os seus tesouros.”. Dois anos depois, em 1803, o chefe do Tesouro Real, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, mais tarde Conde de Linhares, enviou ao Regente D. João um relatório com o que se passava na Europa e dizia:- “Depois de devastado por uma longa e sanguinolenta guerra, ainda resta ao seu Soberano, e a seus povos, irem criar um grandioso Império no Brasil.”
E foi isso o que sucedeu.

A frota portuguesa possuía na altura cinqüenta navios de guerra, dez deles inoperantes. Os ingleses que haviam destruído as frotas francesas e espanholas, na batalha de Trafalgar, possuíam 880 modernos navios de guerra e eram os donos dos oceanos do Mundo. Cinqüenta desses vasos de guerra ingleses estavam na barra de Lisboa para proteger a família real até ao Brasil ou bombardearem Lisboa.

NAPOLEAO

 

 

 

 

 

 

NAPOLEÃO BONAPARTE

A 24 de Novembro começou a mudança. Ouro, prata, jóias, obras de arte, bibliotecas, moveis, tudo o que se pudesse juntar e coubesse a bordo das naus que havia, foi carregado. O que não cabia foi abandonado e saqueado pelos franceses, embora a saída tivesse sido projetada para 27 e o mau tempo deu mais dois dias para salvar mais riquezas. Às 15.00 horas do dia 29 de Novembro de 1807, depois da salva de cumprimentos ao Rei dado pela segurança da Marinha Real de Inglaterra e retribuída pelos portugueses, começava a histórica viagem para o Brasil e a guerra contra o invasor francês pelos portugueses, apoiados pelos ingleses que, na sombra, eram quem mandava em Portugal. Nos sete anos seguintes, o povo português viveria os piores anos de sua história.

Mais de meio milhão de portugueses fugiram do país, morreram de fome ou tombaram no campo de batalha.
Onze dias depois de sair de Lisboa e terem apanhado um grande temporal que avariou e dispersou a frota, o regente D. João mandou mudar seu rumo e dirigir-se para São Salvador da Bahia em vez de irem diretos para o Rio de Janeiro.

Às 11.00 horas do dia 22 de Janeiro de 1808, duzentos anos atrás, a fragata Alfonso de Albuquerque, com a Família Real a bordo, ancorou na Bahia de Todos os Santos. Só cinco dias depois da chegada a Família Real foi para terra. O regente D. João e a Rainha Mãe D. Maria I hospedaram-se no Palácio do Governador, a Princesa Carlota Joaquina e suas filhas no Palácio da Justiça.

 

No dia 28 de Janeiro de 1808, apenas uma semana depois de ter chegado ao Brasil e de um Te Deum de ação de graças pelo sucesso da viagem, D. João foi ao Senado da Bahia assinar a Carta Régia que abria todos os portos brasileiros a todas as nações Amigas. Esta era uma das condições impostas pelos ingleses, entre outras, para ajudarem os portugueses a lutar contra as invasões de Napoleão.Ainda em Salvador, D. João aprovou a criação da primeira Escola de Medicina do Brasil e os estatutos da primeira companhia de seguros. Batizada de Comercio Marítimo. Deu também licença para a construção de uma fabrica de vidro, autorizou a cultura do trigo e a construção de uma moagem, mandou abrir estradas e encomendou um plano de defesa e fortificação da Bahia, que incluía a construção de 25 barcos canhoneiras e a criação de dois esquadrões de cavalaria e um de artilharia.

Foi assim que, duzentos anos atrás, começou o que se concretizou 14 anos depois, a INDEPENDENCIA DO BRASIL.

Fonte:- “1808”, Laurentino Gomes, Editora Planeta do Brasil, Ltda., São Paulo, 2007.
Foto:- Página de abertura do livro “Relation de L’expedition du Portugal, faite en 1807 e 1808, devenu Armee de Portugal, par lê Baron THIEBAULT, A Paris, chez Magimel, Ansrlin et Pochard, Paris, 1817. Biblioteca particular.

DOM JOÃO VI

Por motivos de força maior está suspensa, por tempo indeterminado, a publicação deste boletim

O  Editor

Delmar Rosado

E O HOMEM VOOU...

Comemorou-se em Cachoeira, Bahia, no passado dia 5 de Agosto, a data em que o padre Bartolomeu de Gusmão, na presença da família Real, no Terreiro do Paço, em Lisboa, voou no primeiro balão feito no mundo que ficou conhecido como a “Passarola”.

            Foi no Seminário de Cachoeira que estudou Bartolomeu de Gusmão antes de ir para a Europa.

11/08/2009  

o original

CARTA DE JOÃO FERNANDES VIEIRA

Senhor.

Foi Deus servido que Pernambuco fosse Restaurado para que eu tivesse oportunidade de me prostrar aos Reais  pés de Vossa Majestade e comunicar que acabei a obra que comecei, à minha custa e de meus bens.E, se milagrosos foram os princípios, milagrosos foram os fins que me levaram a conseguir, com o meu serviço e de meus bens, a vitória a custo de meu sangue , como é notório.

Se Vossa Majestade quiser mandar se informar de toda a minha luta, de certo, maiores louvores e proveitos eu receberei de Vossa Majestade e, com o mesmo zelo e vontade, continuarei ao Vosso serviço.

Ao Mestre de Campo André Vidal de Negreiros, portador desta carta, meu companheiro e camarada em todos estes trabalhos e perigos, rogo que Vossa Majestade o receba e ouça.

À católica pessoa de Vossa Majestade guarde Deus muitos anos para o aumento da Cristandade.

Recife de Pernambuco, 30 de Janeiro de 1654

                                                                        João Fernandes Vieira

O Autor da Carta

João Fernandes Vieira

JOÃO FERNANDES VIEIRA

Como a maior parte dos professores e estudantes de Pernambuco jamais leu a carta que João Fernandes Vieira escreveu ao Rei de Portugal D. João IV dizendo que a Capitania de Pernambuco, nessa época do Maranhão a Sergipe, era de novo parte integral do Brasil, ele não impõe quaisquer condições e sim lhe dizer que “acabei a obra que comecei, à minha custa e de meus bens.

O portador, André Vidal de Negreiros que “meu companheiro e camarada em todos estes trabalhos e perigos” certamente falou o mesmo, dado que, pouco tempo depois. eram os dois senhores de engenho mais ricos de Pernambuco.

El rei D. João IV recompensou a todos os chefes revolucionários, Henrique Dias, Filipe Camarão, Jerônimo de Albuquerque e a alguns outros com a Ordem de Cristo que dava direito por ano a uma tensa que rendiam os territórios anexos à concessão da Ordem.

Exigências da chamada “nobreza de Pernambuco” só mais tarde foram apresentadas ao Conselho Ultramarino que aceitava ou não seus pedidos.

A foto que ilustra este artigo é o fac-símile do original que está devidamente guardado aqui em Pernambuco.

                                                                                                                   Delmar Rosado

  ATUALIZADO EM31/08/2009 - 07:30HS