A NOITE NO BAIRRO ALTO
Bairro Alto. Duas da manhã de sexta-feira. Ruas escuras, estreitas, com gente que conversa, bebe e ri. Os bares estão cheios mas a concentração faz-se, principalmente, no meio da rua, agora sem circulação automóvel. A enchente e o avançado da hora - uma vez que é dia de semana - provam que o Bairro Alto continua a ser um ponto forte da noite de Lisboa.
|
Desde os anos 80 que é a zona mais conhecida da noite lisboeta, com inúmeros bares e restaurantes a par das casas de fado, local onde se situavam também quase todos os órgãos de imprensa de distribuição nacional. Nos últimos 20 anos adquiriu uma vida muito própria e característica, onde se cruzam diferentes gerações na procura de divertimento nocturno.
Parte dos prédios foram ou estão a ser recuperados, mantendo-se a traça original dos mesmos, o que veio permitir a instalação de novos e alternativos espaços comerciais, encontrando-se desde lojas multimarca e ateliers a lojas de tatuagens e piercing.
Aos poucos verifica-se também que passou a ser procurado como um lugar para viver, estando a sua população a ser renovada e rejuvenescida.
Durante o Século XIX e até ao terceiro quartel do Século XX, o bairro abrigava as sedes dos principais jornais e tipografias do país. Ainda hoje é possível encontrar ecos desse tempo em nomes de ruas como a Rua Diário de Notícias ou a Rua do Século. Este bairro, um dos mais intelectuais da capital, frequentado e habitado por jornalistas, escritores e estudantes, a um passo do Chiado, era também lugar de tascas de marinheiros, de lugares de má fama e de muita prostituição. Vitorino Nemésio faz alusões a este ambiente no romance Mau tempo no canal.
O edifício onde nasceu o Diário de Notícias foi mais tarde ocupado por A Capital (diário extinto em 2005), sendo hoje mais conhecido por «Edifício A Capital». Foi neste prédio que a companhia de teatro Artistas Unidos esteve sediada durante muito tempo. A companhia abandonou o espaço há alguns anos, uma vez que a Câmara Municipal vai proceder a obras de reabilitação. |

BAIRRO ALTO 1807

|
FADO DO BAIRRO ALTO
Música e Letra:
Carlos Neves /
Francisco Carvalhinho
Bairro Alto
Aos seus amores tão delicado
Certa noite deu nas vistas
E saiu com os trovadores
E mais o Fado
P’ra fazer suas conquistas
Tangeu as liras singelas
Lisboa abriu as janelas
E acordou em sobressalto
Gritaram bairros à toa
Silencio velha Lisboa
Vai cantar o Bairro Alto
Trovas antigas
Saudade louca
Andam cantigas
A bailar de boca em boca
Tristes bizarras
Em comunhão
Andam guitarras
A gemer de mão em mão
Por isso é que ganhou fama de boémio
Por condão é fatalista
Atiraram-lhe com a lama como prémio
Por ser nobre e ser fadista
Hoje saudoso, velhinho
Recordando com carinho
Seus amores, suas paixões
P’ra cumprir a sina sua
‘Inda vem p’ro meio da rua
Cantar as suas canções
Trovas antigas
Saudade louca…
..................... |
Alguns lugares que recomendo
no Bairro Alto
RESTAURANTE JÁ DISSE:
Rua Diário de Notícias 42/46 - Lisboa
Poderia passar despercebido, tendo em conta a oferta de restauração que existe no Bairro Alto mas este acolhedor restaurante é um convite à boa disposição. Cozinha regional e decoração que se ajusta na perfeição, não se intitula como casa de fados, mas antes um restaurante com ambiente muito próprio onde a canção típica portuguesa tem uma palavra a dizer.
A Severa
Rua das Gáveas,
TEL:
55 21 342 83 14 www.asevera.com
Fundada em 1955 por Júlio Barros Evangelista o qual apostou desde o início num grande elenco de fadistas de renome. O seu sucesso deveu-se, no entanto, à habilidade culinária da sua mulher, Maria José, com a criação de pratos considerados novidade na altura, tais como, o Arroz de Tamboril e as Lulas Recheadas. Da decoração actual fazem parte painéis de azulejos pintados à mão, candeeiros de rua e arcos. O Fado canta-se todos os dias a partir das 21h30 com João Queirós (Fado de Coimbra), Natalino Jesus, Lina Santos e Elsa Coimbra acompanhados à guitarra por Armandino Santos e à viola por José Maria Nóbrega. Também tem folclore.

|
A Tasca do Chico
Rua do Diário de Notícias, 39
21 343 10 40
Foi em 1994 que Francisco Gonçalves, natural de Amarante e a viver no Bairro Alto desde 1972, abriu a "Tasca do Chico". Trabalhava na "Adega Mesquita", conhecido restaurante e casa de fados do bairro, e começou a aperceber-se de que as tascas típicas estavam a fechar para dar lugar aos bares. "Era com pena que via isso". Com o "bichinho do fado", Chico decidiu aventurar-se e criar o seu próprio negócio, reservando duas noites por semana para o fado vadio. Tem um ambiente espectacular, quase mágico, que o transporta tanto pelo “antigo” fado como por novas expressões do mesmo.
|
Restaurante Nô-Nô
Rua do Norte, 47-49
21 342 99 89
Mário Rodrigues, conhecido pelos amigos como Nónó, trabalhou 30 anos como fotógrafo na Adega Machado, até que resolveu abrir o seu próprio restaurante com Fado. É uma casa pequena onde frequentemente se canta ao despique.
Das especialidades da casa destacam-se as pataniscas com arroz de feijão e o arroz de marisco.

|
O Canto do Camões
Travessa Espera, 38
21 346 54 64 - www.cantodocamoes.com
Casa típica onde se pretende que o cliente se sinta em casa. Procura marcar a diferença no atendimento e mostrar a arte de bem servir à mesa. Não é obrigatório jantar no Canto do Camões. Aceita marcações e reservas para depois do jantar com consumo mínimo implícito.
 |
ALFAMA
O Bairro de Alfama em Lisboa não vive só dos Santos Populares, das marchas do fado e do Lisboa Downtown. Virada a sul com vista para o Rio Tejo, Alfama estende-se do Castelo de São Jorge à Doca do Jardim do Tabaco e é dos maiores destinos turísticos de Lisboa.
Visitar Alfama é visitar a arquitectura, os sons e os odores da Lisboa antiga. Este é um dos bairros mais típicos de Lisboa. Nas suas estreitas e sinuosas ruas encontrará o tesouro escondido de Alfama e nas suas íngremes escadas poderá respirar a alma de Lisboa.
Em Alfama, ainda é possível ver vestígios das ocupações Romana e Árabe, duas das civilizações mais dominantes no passado de Lisboa. As ruas estreitas, resultado da cultura Muçulmana, guiam-se por leis individualistas em que os espaços públicos não são importantes. Estas ruas são uma marca do Corão, onde pouco valor é dado às fachadas em detrimento do interior das casas, que é muito mais valorizado.
Alfama foi em tempos lar de delinquentes, desafortunados ou ingratos e, devido à sua proximidade com o mar, foi também casa de muitos marinheiros.
Reconstruída pela população local depois do terramoto de 1755, Alfama correu o risco de ser demolida, o que felizmente não aconteceu uma vez que esta zona da cidade foi considerada um livro de história viva, onde o passado se mistura com o presente... |
ALFAMA
Alfama, bairro velhinho
Monumento de saudades
Sacrário de tradições,
Tens um lugar de carinho
E de sincera amizade
Nas minhas recordações
Tens um lugar de carinho
E de sincera amizade
Nas minhas recordações
Bairro de gente do mar
Varinas e Marinheiros
São o fruto que nos dás,
Honrados no trabalhar
Alegres e galhofeiros
No descanso e boa paz
Honrados no trabalhar
Alegres e galhofeiros
No descanso e boa paz
Quando tens uma tristeza
No coração magoado
Cantando sabes dizer,
Este fado é uma reza
E desabafas num fado
A razão do teu sofrer
Este fado é uma reza
E desabafas num fado
A razão do teu sofrer
Usando por guerrelhice
Craveiros a enfeitar
O beco mais recatado,
És mais velha que a velhiçe
Mais marinheira que o mar
E mais fadista que o fado
És mais velha que a velhiçe
Mais marinheira que o mar
E mais fadista que o fado
|
ALFAMA
Composição:
Ary dos Santos/ Alain Oulman
Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece
É numa água-furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade
Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão,
Cheira a silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção. |
É OU NÃO É
É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?
É ou não é
Que disto, toda a verdade,
Que só por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!
É ou não é
Que o povo diz que não,
Que o nariz não é feição
Seja grande ou delicado?
No meio da cara
Tem por força que se ver,
Mesmo até eu não meter
Aonde não é chamado!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
E Ou Nao E
Ai, não, não é! Pois é!
É ou não é
Que um velho que à rua saia
Pensa, ao ver a minissaia:
Este mundo está perdido?!
Mas se voltasse
Agora a ser rapazote
Acharia que saiote
É muitíssimo comprido?
É ou não é
Bondosa a humanidade
Todos sabem que a bondade
É que faz ganhar o céu?
Mas na verdade, não
Lá sem salamaleque,
Eu tive que aprender
É que ai de mim se não for eu!

|
VOU DAR DE BEBER À DOR
Foi no domingo passado que passei
À casa onde viveu a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas
Do rés-do-chao ao telhado
Não vi nada nada nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro quebrado e isolado
Onde havia as tabuinhas
Entrei e onde era a sala agora está
Á secretária um sujeito que é lingrinhas
E não há colchas com barra
Nem viola nem guitarra
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas
O tempo cravou a garra
Na alma daquela casa
Onde às vezes petiscávamos sardinhas
Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas.
As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça
Porque é hoje uma vidraça
Com cercadura de lata às voltinhas
E lá p´ra dentro quem passa
Hoje é p´ra ir aos penhores
Entregar ao usuário umas coisinhas
Chegou a esta desgraça toda a graça
Da casa da Mariquinhas.
P´ra terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem p´ras alminhas
Pois ser casa de penhor
O que foi viveiro de amor
É ideia que não cabe cá nas minhas
Recordações de calor
E das saudades o gosto
Que vou procurar esquecer numas ginjinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas. |
LÁGRIMA
Cheia de penas, cheia de penas me deito
E com mais penas,com mais penas me levanto
E no peito já me ficou no meu peito
Esse jeito, o jeito de te querer tanto
Desespero tenho por meu desespero
Dentro de mim, dentro de mim o castigo
Não te quero eu digo que não te quero
E de noite, de noite sonho contigo
Se considero que um dia hei-de morrer
No desespero que tenho de te não ver
O meu xaile, estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile e deixo-me adormecer
Se eu soubesse, se eu soubesse que morrendo
Tu me havias,tu me havias de chorar
Por uma lágrima por uma lágrima tua
Que alegria me deixaria matar

|
Mouraria
Bairro típico de Lisboa, que deve o nome à antiga população de mouros que o habitava ao tempo da pós-conquista de Lisboa aos tais “mouros” Desenvolve-se ao longo da encosta poente que subjaz ao Castelo de S. Jorge e estende-se para Norte ainda hoje, já séc. XXI, a sua população é multiétnica, multicultural e multilingue. Nota-se a manutenção de antigas tradições e costumes de Lisboa como a da marcha tradicional do Stº António ou a procissão da Senhora da Saúde.
Tão antigo como a nacionalidade, o bairro da Mouraria, após a conquista de Lisboa, em 1147, por D. Afonso Henriques, foi o local escolhido para albergar os mouros que se mantiveram na cidade. No reinado de D. Manuel l, com a expulsão dos mouros e judeus, uma parte do bairro alojou populações cristãs, formando-se assim uma Mouraria ainda mais eclética. O bairro ganhou má fama quando os marginais e as prostitutas passaram a ser frequentadores assíduos.
A Mouraria evoca tempos de façanhas que estão na memória comum dos lisboetas. Hoje é sobretudo um bairro pitoresco, multi-étnico onde ainda persiste a tradição do fado.
Rua do Capelão
É a Mouraria mais típica, entre a rua da Mouraria e a da Guia. O seu nome terá origem num oratório armado numa parede com frente à rua e que merecia a maior devoção dos habitantes do lugar que à tarde ali se juntavam para rezar. No prédio de esquina do Beco do Forno e Rua do Capelão, n.º 34 terá vivido a célebre fadista Severa e mesmo ao lado está a casa onde nasceu o fadista Fernando Maurício. |
Passeio pela Mouraria
A pé:
Mouraria / Castelo / Alfama
O passeio começa junto à estação de Metro do Martim Moniz, na Rua do Capelão (1). Siga pela Rua da Mouraria até à Igreja da Senhora da Saúde (2), com belos azulejos e altar em talha, visitável de tarde e quando há missa. No renovado Largo do Martim Moniz (3) fica o peculiar e multiétnico Centro Comercial da Mouraria. Entre no pitoresco bairro da Mouraria pelas Escadinhas da Saúde (4) e prossiga pelo Largo da Rosa, com o Convento do mesmo nome (5) e a Igreja de S. Lourenço.
Continuação pelo largo da Achada (6), pela Igreja de S. Cristóvão (7) e, subindo a Calçada Marquês de Tancos, encontra o Mercado Municipal do Chão de Loureiro (8), que integra alguns ateliers de artistas plásticos e uma bela esplanada. Pela Rua da Costa do Castelo passa pela Escola de Circo do Chapitô (9) e, descendo as Escadinhas de S. Crispim (10), atinge a Rua de São Mamede, com o Palácio do Correio Velho (11) à esquerda. Pela Travessa do Almada vai à Igreja de Santa Maria Madalena (12). Da Rua da Sé chega-se ao Largo de Santo António (13), com tascas e o Museu Antoniano, que encerra às Segundas. Mais acima fica a Sé Catedral (14), de 1147, onde pode visitar o Tesouro da Sé e as ruínas romanas.
Suba a Rua Augusto Rosa até ao Miradouro de Santa Luzia (15) e aprecie as vistas do Tejo e do Bairro de Alfama. Mas falta ainda o indispensável Castelo de S. Jorge (16) – Centro de Interpretação da Cidade. Chega-se lá via Rua de S.Tiago .
A arquitetura justifica bem o esforço. |
Passeio pela Mouraria (cont)
Nos jardins do castelo desfrute as soberbas vistas da cidade e estuário. Saia, virando à esquerda para a Rua do Chão da Feira, e pelo Largo Mor até à Igreja de Santa Luzia (17). No largo das Portas do Sol (18) pode admirar a paisagem, visitar a Fundação Ricardo Espírito Santo e suas Oficinas e posteriormente descansar numa das esplanadas. Ou então descer pelas escadarias do arco à direita, até à Igreja do Largo de S. Miguel, seguindo até ao estreitíssimo Beco do Carneiro e à Igreja de Santo Estêvão (19). Pela Rua dos Remédios chega ao Largo do Chafariz de Dentro (20) – Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa. E, se for Junho, quando se realizam as Festas Populares, mergulhe na imensa animação popular. Mas, se estiver cansado, é melhor entrar num táxi e ir repousar um pouco.

MOURARIA |
AI MOURARIA
Ai, Mouraria
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo ao meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar troçista.
Ai, Mouraria
do homem do meu encanto
que me mentia,
mas que eu adorava tanto.
Amor que o vento,
como um lamento,
levou consigo,
mais que ainda agora
a toda a hora
trago comigo.
Ai, Mouraria
dos rouxinóis nos beirais,
dos vestidos cor-de- rosa,
dos pregões tradicionais.
Ai, Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar. |
HÁ FESTA NA MOURARIA
Há festa na Mouraria,
é dia da procissão
da senhora da saúde.
Até a Rosa Maria
da rua do Capelão
parece que tem virtude.
Naquele bairro fadista
calaram-se as guitarradas:
não se canta nesse dia,
velha tradição bairrista,
vibram no ar badaladas,
há festa na Mouraria.
Colchas ricas nas janelas,
pétalas soltas no chão.
Almas crentes, povo rude
anda a fé pelas vielas:
é dia da procissão
da senhora da saúde.
Após um curto rumor
profundo siléncio pesa:
por sobre o largo da guia
passa a Virgem no andor.
Tudo se ajoelha e reza,
até a Rosa Maria.
Como que petrificada,
em fervorosa oração,
é tal a sua atitude,
que a rosa já desfolhada
da rua do Capelão
parece que tem virtude. |
ZANGUEI-ME COM MEU AMOR
Zanguei-me com o meu amor
Não o vi em todo o dia
Zanguei-me com o meu amor
Não o vi em todo o dia
A noite contei melhor
O fado da mouraria
A noite contei melhor
O fado da mouraria
O sopro de uma saudade
Vinha beijar-me hora a hora
O sopro de uma saudade
Vinha beijar-me hora a hora
Para ficar mais a vontade
Mandei a saudade embora
Para ficar mais a vontade
Mandei a saudade embora
Quando regressou ao ninho
Ele que nem assobia
Quando regressou ao ninho
Ele que nem assobia
Vinha a assobiar baixinho
O fado da mouraria
Vinha a assobiar baixinho
O fado da mouraria
Vinha a assobiar baixinho
O fado da mouraria. |